Você já experimentou o que chamam de “sensação de impotência” diante de um fato ou de uma determinada situação? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu comigo na última sexta-feira. E olha que eu estava feliz. Tinha ido ao aeroporto buscar minha mãe que chegava de São Paulo. Atraso previsto de quarenta minutos para o desembarque, uma voltinha pelas lojas com a esposa, uma parada para um cappuccino com uma boa prosa e tudo correndo conforme se espera.
A coisa complicou quando chegamos ao retorno para Salvador, ali na entrada de Lauro de Freitas. O trânsito das cinco da tarde parecia muito pior. Andávamos lentamente. Achei que tivesse a ver com a saída do fim de semana, mas nem imaginava o tamanho da confusão. Levei uma hora prá dar a volta. E aí você começa a ver as barbaridades... Vários carros começaram a subir pelo canteiro central, evitando o retorno e tentando ganhar tempo. Fiquei irritado. Se eu dei a volta, como convém a quem respeita as leis de trânsito, porque deixaria um oportunista vindo de cima de um jardim entrar na minha frente? Nada feito. E o pessoal dos carros começou a me olhar feio. Vai entender...
Mas nada está tão ruim que não possa piorar... E foi o que aconteceu. Perdi mais uma hora para percorrer talvez menos de um quilômetro. Como eu estava de bom humor (ainda), procurei abstrair e curtir a conversa no carro. Mas acho que eu era o único. Começou o buzinaço (como se adiantasse alguma coisa) e dali a pouco um show de horrores que incluíram xingamentos, tensão e gente ao meu lado perguntando do aeroporto... Soube depois que trezentas pessoas perderam seus vôos por causa do congestionamento. Estava na cara.
Ninguém se movia. Desliguei o carro e desci. A cena parecia filme de terror. Aquele amontoado de veículos travados em plena avenida. Lembra da sensação de impotência... Pois é... Ela chegou. Lembrei da minha “previsão” de que um dia o trânsito ia parar de vez. E não é que parou mesmo? Duas senhoras passaram a pé, rindo. “Esse pessoal não chega em casa hoje”. Liguei o rádio prá descobrir alguma coisa, mas as informações também não existiam. Alguns ouvintes estavam falando ao vivo, reclamando da SET (ou da falta dela), lembrando a falta de organização e as horas perdidas. Mais uma hora num ritmo de “anda meio metro pára cinco minutos” e dei de cara com cinco ônibus que, em fila dupla, faziam o retorno no início da Paralela e ocupavam duas pistas. Só passava um carro por vez. Nenhum fiscal, moto ou veículo oficial capaz de orientar os motoristas e regular a passagem dos ônibus. Algo tão simples e óbvio que me fez pensar seriamente nos responsáveis pelo setor na cidade. Inacreditável.
À minha frente, uma avenida absolutamente liberada. Três horas de congestionamento. Dez minutos prá chegar
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